Pesquisar este blog

Silêncio Mágico

E quando é preciso das respostas prontas e rápidas, elas somem. E n'algumas horas de muitas palavras no meu silêncio as respostas prontas e rápidas vem. As palavras que nos esclarecem também nos confundem e fundem lógicas enganosas à crenças venenosas que tomamos por verdades. Estas verdades perdem brilho e se resguardam em cantos inconscientes. Ficam lá e em silêncio.
Não é preciso dizer mais nada a respeito. Da mente ao corpo é só um momento e dali ao destino desavisado é só uma consequência.
E todo este ciclo começa dada a importância que recebeu o irrelevante dito ou ocorrido. Algo que poderia ter passado sem ser percebido. E já foi.
Encarando a ilusão da ótica de uma necessidade das palavras e respostas prontas, elas talvez jazem por sua desnecessidades. Ao que responder se não é tão importante? Som algum pode demover o que foi promulgado com ênfase ainda que nada signifique. Pois que paire no ar e dure o instante da velocidade do som. Mas que não seja registrado em lugar algum. É um arquivo viral em forma de som.
Resguarda-te no teu silêncio e seja ele o teu abrigo. Há tanta coisa a ser dita quando as palavras não fazem sentido. E quando nada é necessário o supérfluo torna-se ainda mais atraente. Silenciar diverge do calar. Ao calar algo devia ser dito. Ao silenciar compreendeu-se a situação e sabe-se que pouco ou para coisa alguma serviriam as palavras.
Sair em silêncio pode ser a melhor resposta.

Algo de nós que fica.


“O que traz consigo?
Com quem vai deixar?”
- Onde você vai estar -


Há quem viva em buscas permanentes. Em constantes perseguições e peregrinações atrás de alguma coisa. São formas de coleções. Colecionar coisas, adquirir. Aquisições preciosas para sua auto-afirmação, auto ilusão ou uma tentativa desesperada de sair ganhando de algum jeito freqüentando um lugar, convivendo com alguém. Seja o que for, é só mais um algo.
Sem que se faça notar a areia muda de lugar na ampulheta  em escala cósmica e os hábitos constroem destinos destituídos de uma conquista maior. Uma conquista satisfatória. O novo não supre a necessidade. Nem um lampejo de paz à alma encarcerada na masmorra da repetição insciente e inconseqüente.
Certa feita  percebi que normalmente é confundida uma canção reflexiva com uma canção triste. Dizem “esta me deixa muito pra baixo”. É natural. A introspecção é um espelho emocional que não permite  mediadores. E na fuga de si mesmo, embalos e balelas são cúmplices de uma morbidade intelectual  desajustada da busca de alegria. Alegria esta confundida com qualquer coisa que não faça pensar.
A melhor forma de termos algo bom para nos lembrar é a satisfação de saber que deixamos alguém, ou alguma situação, melhor do que antes da nossa chegada. Basta enumerar às ocasiões em que fizeram isso por nós. Esta sensação de utilidade preenche. Esta sensação, enfim, satisfaz. A busca perde a importância diante da doação. A doação de si, de sua paz, de sua presença, carinho, dedicação e blablablá. Você já sabe disso.
Ao nos vigiarmos para saber o que estamos levando aos outros teremos de buscar algo novo e externo. Provavelmente acima de nós mesmos. E será uma conquista maior. Que nos fará maiores. Aí sim, uma vitória que satisfaz.