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Até chegar em casa

Na beira da estrada tudo parece passageiro. Não se engane, só parece.  Passam tantas coisas que nem vemos. Passam mistérios diurnos. São poucos, mas existem. Pessoas que nunca mais se encontrarão, passam ali, lado a lado.
Idas e vindas, infindas. Vozes parecidas com as de nossos dias. Vozes esquecidas com os nossos dias.
A estrada só traz liberdade se trouxer outro caminho. Se houver referências, lembra passado. Poucos passados não aprisionam. O passado, mesmo na estrada, é passageiro. Só que uns não sabem disso.
Pegadas só fazem sentido se for pra atalhar caminho.O caminho conhecido só é bom se mata a saudade e vivifica o amor.
O amor não está no passado, eu já procurei. Só encontrei lembranças. E lambanças. As vezes não sei o que é uma ou outra coisa.
Quando uma estrada é nova todos querem passar por ela. Passar uma segunda vez não tem graça. O prazer  da primeira vez é único porque só olhamos para frente. Sentido único.

Mesmo assim, adoro voltar pra casa.

Pés no chão


O que escraviza mais, os vícios ou as crenças?
O que se faz mais motivador do que as ilusões?
Me parece que pôr os pés no chão é desolador nesta óptica que somos educados a crer ser a correta. Nunca ouvi alguém dizer depois do autoafirmativo “a verdade é que...” uma coisa boa.
As vezes a verdade pode não ser o que desejamos, mas é uma percepção daquele instante.
As frustrações, que são nossos desejos contrariados, por vezes tem muito a ensinar. Pois nesta ocasião é que revemos nossos planos. A volta a prancheta de planejamento pode nos fazer mais impacientes ou mais precisos. Como sempre temos uma circunstância e a forma como nos sentimos diante dela é que fará a diferença no nosso entendimento do “é bom ou ruim”.
Saber o valor das coisas e não confundi-lo com as coisas de valor nos liberta. Dos vícios, das crenças, dos vícios de crenças e nos motiva para algo além das ilusões.
Tal como ao acordar realiza uma transformação fisiológica magnífica no corpo físico, o desperta da consciência proporciona transformação semelhante no emocional, e creio, até no físico.
Depois de acordar, ponha os pés no chão. E será maravilhoso.